O Prenúncio de HOME – Nosso Planeta, Nossa Casa

Além de uma trilha sonora magistral e belíssimas imagens do planeta Terra, Home – nosso planeta, nossa casa, tem uma mensagem bem mais profunda a oferecer - nem só de calamidades prenunciadas, mas também de esperança (é tarde demais para ser pessimista!). acompanhem a Resenha a seguir.

O Prenúncio de:
HOME – Nosso Planeta, Nossa Casa
Yann Arthus - Bertrand

No início nosso planeta era um caos, bilhões de anos foram necessários para organizar todos os ciclos e sistemas vivos da terra. “Nem perto, nem longe do sol” está harmonia permitiu o acumulo de água em forma liquida em nosso planeta. Sendo a água um dos fatores primordiais para a existência e permanência da vida. Os rios arrancaram minerais das rochas e adicionaram as águas do oceano propiciando a nossa própria existência. Foi assim que surgimos! Provavelmente uma das primeiras formas de vida foram as arqueobactérias, originárias de águas termais dando cor a água e se alimentando do calor da terra. E também cianobactérias que tem á característica peculiar de se alimentar da luz do sol. Nossa existência e de toda a vida terrestre depende diretamente da água, sendo que 70% do oxigênio que inflam nossos pulmões vêem das algas que dão cor a superfície dos oceanos.

Nossa terra conta com um equilíbrio no qual cada ser tem um papel importante, onde um ser necessita de outro para viver. Harmonia sutil e frágil, que é facilmente quebrada. E assim temos como exemplo os corais que nascem do casamento entre algas e conchas. Recifes de corais cobrem menos de 1% da superfície dos oceanos mais oferecem habitat para milhares de peixes moluscos e algas, o equilíbrio de todos os oceanos depende deles.
Levou mais de 4 bilhões de anos para as árvores surgirem. Herdaram das cianobactérias o poder de capturar energia da luz do sol, transformando-se em madeira e folhas que depois se decompõe numa mistura de água, mineral vegetal e matéria viva e, assim gradativamente os solos são formados.
O equilíbrio natural se expressa no comportamento de alguns animais que se adaptam a natureza de seus pastos, e os pastos se adaptam a eles. E assim ambos ganham; os animais saciam sua fome e os arbustos podem florescer. Na grande aventura da vida na terra cada espécie desempenha um papel, cada espécie tem seu lugar, nem uma é inútil ou prejudicial. Todas atuam no equilíbrio.
O homem se beneficia de um legado de 4 bilhões de anos deixado pela terra e com apenas 200 mil anos de sua existência, mudou a face do mundo. Apesar de sua vulnerabilidade se apossou de cada habitat, conquistou faixas de território como nenhuma outra espécie havia feito antes. Após 180 mil anos vivendo como nômades os humanos se estabeleceram, habitando principalmente o litoral dos continentes ou as costas de rios e lagos. A invenção da agricultura a menos de 10 000 anos, sendo nossa primeira grande revolução resultou nos primeiros excedentes agrícolas e, deu origem as primeiras cidades e civilizações.
Metade da humanidade ainda cultiva o solo. Mais de ¾ da humanidade ainda cultiva a terra de forma manual. Passado assim de geração em geração entre as civilizações representando um trabalho árduo, porém pré-requisito para a sobrevivência humana. Mas depois de contar com a força dos músculos por muito tempo, a humanidade achou um jeito de extrair energia das profundezas da terra. A energia solar armazenada a milhões de anos no subsolo, caracterizada nos bolsões de luz, que também pode ser conhecido como carvão, gás e acima de tudo como petróleo. E esse bolsão de luz liberou os humanos de seu trabalho árduo na terra. Com o petróleo começou a era dos humanos que se libertaram das algemas do tempo. Com o petróleo alguns de nós adquiriram luxos sem precedentes. E nos últimos 50 anos, tempo de uma vida adulta foi a terra mais radicalmente alterada do que todas as gerações da humanidade. Cada vez mais rápido nos últimos 60 anos a população da terra triplicou e hoje mais da metade dos 7 bilhões de humanos moram em cidades.
Nova York a primeira megalópole do mundo com todo o seu esplendor capitalista é o símbolo da exploração da energia que a terra fornece ao gênio humano, a energia do carvão, o poder descontrolado do petróleo.
No campo as maquinas substituíram os homens. Nos EUA só restaram 3 milhões de fazendeiros e, eles produzem grão suficiente para alimentar dois bilhões de pessoas. Mas a maioria desses grãos não são usados para alimentar pessoas, e sim transformados em ração para os rebanhos ou bicombustíveis. Nem um rio escapa da demanda da agricultura da humanidade que é responsável por 70% do consumo de água do planeta. Até o fim deste século a mineração excessiva terá esgotado quase todas as reservas do planeta. Quanto mais o mundo evolui mais sua sede de energia aumenta.
Estamos destruindo o ciclo de uma vida que nos foi dada. Nesse ritmo todos os estoques de peixes correm o risco de serem esgotados. A falta de água pode afetar até dois bilhões de pessoas até 2025.
Toda a matéria viva esta ligada, ar, água, solo e árvores a magia do mundo esta bem diante dos nossos olhos. As árvores são à base do equilíbrio climático do qual todos dependemos, e ainda oferecem o habitat para ¾ da biodiversidade do planeta ou seja para toda a vida na terra. As substâncias secretadas por estas árvores reconhecem o nosso corpo, somos todos parte de uma mesma família. Mas em quase 40 anos a maior floresta do mundo (floresta Amazônica) foi reduzida em 20%. A floresta abre passagem para a pastagem e criação de gado, e o cultivo da soja. Neste último caso serve para exportação onde é fabricado ração para a criação de gado, para o consumo de carne e assim temos uma floresta transformada em carne.
Em décadas o carbono que fez da nossa atmosfera inicialmente uma fornalha, e que a natureza capturou durante milhares de anos possibilitando que a vida surgisse, será liberado novamente. A atmosfera está aquecendo. Transportes, indústria, desmatamento, agricultura nossas atividades liberam quantidades gigantescas de dióxido de carbono de forma desmedida. Sem perceber molécula por molécula nós destruímos o equilíbrio climático da terra. A calota polar do ártico está derretendo. Sob o efeito do aquecimento global a calota polar perdeu 40% de sua espessura em 40 anos. E corre o risco de desaparecer durante o verão de 2030. Os raios solares que a geleira refletiam anteriormente, agora penetram a água negra dando ritmo ao processo de aquecimento.
O nível do mar está subindo. Existe ainda uma expansão das águas oceânicas à medida que o processo de aquecimento acelera. Só no século XX causou um aumento de 20 centímetros no nível do mar. Na atmosfera as principais correntes de ar estão mudando de direção. Os ciclos de chuvas foram alterados a geografia dos climas foi modificada. E o agravante para nós habitantes do planeta é que 70% da população vivem em planícies costeiras, tendo 11 das 15 maiores cidades do mundo situadas no litoral ou na foz de um rio. Conforme o mar avança o sal invade o lençol freático tornando-o impróprio para o consumo. Os fenômenos migratórios são inevitáveis.
Nós criamos fenômenos que não podemos controlar, e desde o inicio água, ar e forma de vidas estão intimamente ligados, mas recentemente rompemos essas ligações tudo o que vemos é um reflexo do comportamento humano.
Porém apesar de todos os dados apocalípticos apresentados no Documentário Home – nosso planeta, nossa casa, cabe ressalta que o mesmo termina por apresentar algumas prováveis formas de um convívio mais sustentável, e algumas alternativas para se conseguir tal façanha. Parafraseando o mesmo documentário que usa o seguinte chavão: “é tarde demais para ser pessimista”. O que importa agora não é mais o que perdemos e sim o que ainda nos resta.

Como propostas animadoras temos ainda que, todos dos mais pobres aos mais ricos podem contribuir, nesse estágio de alarde em que vivemos não importam classes sociais, todos serão atingidos de mesma forma e intensidade. As milhões de Ong’s que exercem trabalhos sociais provam que a solidariedade entre os povos é mais forte do que o egoísmo das nações. Temos o exemplo de países como a Costa rica que abriu mão de seu exercito para salvar suas florestas.
A agricultura pode alimentar o planeta inteiro se o gado e a soja não forem às únicas culturas cultivadas. Temos a possibilidades de implantar casas com energia alternativas como a energia solar. Na Islândia existe uma usina hidrelétrica usando o calor da terra, energia geotérmica. Somos capazes de extrair energia das ondas do mar. E Já existem fazendas de ventos no litoral da Dinamarca que fornecem 20% da energia do pais.

Não poderíamos imitar as plantas e capturar sua energia? Em uma hora o sol dá a terra a mesma quantidade de energia consumida por toda a humanidade em um ano, enquanto a terra existir a energia solar será inesgotável tudo que precisamos fazer é parar de perfurar a terra e começar olhar para o céu, aprender a cultivar o sol.

Temos que nos tornar consumidores conscientes, repensarmos o que compramos. Não precisamos de tantos bens de consumo, ou de tantas regalias, sejamos que nem os animais que vivem das folhas dos arbustos da natureza, eles nunca consomem o suficiente para acabar com o arbusto, dando a este a oportunidade de se regenerar e posteriormente alimentá-lo novamente. O nome disso é equilíbrio, inteligência de animais e seres que classificamos como irracionais. Porém quem demonstra irracionalidade, expressa através de atitudes depredatórias de consumo desregrado de recursos necessário a sua própria existência são os homens, logo nós considerados o ápice da pirâmide evolutiva.
Portanto o prenúncio relatado nesse belíssimo documentário é verdadeiro e inevitável. O planeta sem dúvida está na eminência de um colapso de seu equilíbrio. Mesmo existindo a possibilidade de fenômenos climáticos como o aquecimento global não serem totalmente atribuídos as ações antropicas. Pois existem teorias que tal fenômeno seria mais uma alternância climática ao qual o planeta estaria passando, fato esse constatado durante toda a evolução da terra desde o fanerozóico (últimos 600 milhões de anos). O ser humano através da sua sede de consumo e de energia não deixou de contribuir decisivamente para o aceleramento do ritmo desse processo de desequilíbrio. Resta saber se vamos cuidar dos alicerces de nossa casa, ou vamos esperar que ela caia sobre nós.


Uma de muitas das belíssimas imagens de nosso Planeta, apresentadas no documentário.

Confiram o trailer:


Por: Marcus Antonio (mmatrix5@hotmail.com), acadêmico do
curso de licenc. Plena em Geografia, Campus Clovis Moura.
Teresina-PI

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